As fases de luto aplicadas à solução de dívidas

Um texto simples, mas que pode ajudar vocês a se libertarem não somente de processos de endividamento, mas na solução de diversos outros problemas na vida. Vale muito a pena a ler. É curto, é rápido, mas pode mudar a sua vida.

1. Pior do que a morte.

Há mais de 30 anos, escutei de um cliente do banco onde eu trabalhava uma frase que muito me marcou:

“dinheiro pode até não trazer felicidade, mas a falta excessiva dele, que é a dívida, é pior que a morte!”

“Pior do que a morte”? O que poderia ser pior do que a morte?

Com os passar dos anos, e após atender milhares de cidadãos brasileiros endividados (inclusive alguns de minha própria família), cheguei à conclusão que pode, sim, existir algo que, se não for pior do que a morte, certamente se aproxima muito.

Advogar para endividados colocou-me em contato com a chamada “morte em vida”, uma condição humana muito semelhante à depressão, em suas mais severas formas.

Do ponto de vista biológico, a pessoa está viva, seu corpo respira, ainda que lentamente, mas sua alma está quebrada, catatônica, quase morta e sem sinais vitais. Vaga, errante, por uma sociedade que aprendeu a ignorar a dor de seus semelhantes, de tal forma que tais pessoas podem caminhar entre nós, sem que sequer imaginemos a sua dor.

Quase todos nós, que estamos vivos, sabemos a dor que a morte real provoca. Quem de nós nunca “perdeu” um ente querido? Mas o que fazer quando a pessoa falecida está dentro de nós mesmos, acompanhando-nos o tempo todo, seguindo-nos a todos os lugares?

Esta é a chamada “morte em vida”. Um dos mais tristes e dolorosos estados a que um ser humano pode chegar. Comparada à morte, em alguns casos, pode até mesmo ultrapassá-la em termos de dor, pois não deve ser nada fácil lidar com o funeral, em vida, de si mesmo.

2. As fases do luto convencional

Negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Salvo pequenas diferenças doutrinárias existentes entre os estudiosos no assunto, as cinco etapas acima resumem o processo de luto. A ordem varia e pode haver supressão de etapas ou acúmulo de mais de uma, durante determinado momento.

Seja como for, tudo começa pela negação e termina com a aceitação. Pelo menos deveria terminar.

Sim, infelizmente, muitas pessoas sucumbem, antes de chegarem à fase de aceitação. Mergulham em profundos estados depressivos, que podem culminar na própria loucura ou, o que ainda é pior, atentarem contra suas próprias vidas.

Não menosprezem a dor daqueles que se encontram mortos em vida, sufocados não somente pelas inúmeras dívidas que não conseguem pagar, mas, principalmente, pela crueldade de terem de passar por tal situação na mais completa solidão e abandono.

Todos se aproximam dos que têm dinheiro, mas são raros os que, de fato, auxiliam seus amigos e parentes na hora em que esse dinheiro se acaba e que as prestações começam a se amontoarem sobre os devedores, como uma verdadeira bola de neve.

Nessas décadas de contato com endividados, posso garantir que não se tratam de simples caloteiros, ou de pessoas que viveram além de suas possibilidades, visando ostentar uma vida superior à que podiam. A ponte que separa uma vida financeira organizada de um estado de endividamento doentio é muito mais curta do que imaginam.

Dívidas causam toda sorte de males à sociedade, ferindo, mortalmente, o seu principal alicerce, que é a família. Casais são desfeitos, amizades são perdidas, pessoas são estigmatizadas, enfim, o endividamento excessivo funciona como uma espécie de apocalipse na vida das pessoas e famílias.

Acontece que não precisa ser assim…

3. Apesar, de tudo, há esperanças!

Apesar do cenário gravíssimo e preocupante, duas excelentes notícias, contudo, surgem como alento aos quase 63 milhões de brasileiros endividados, de acordo com o SPC – Serviço de Proteção ao Crédito – e a CNDL – Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (dados analisados em agosto de 2018).

Não somente para eles, mas para suas famílias, que sofrem junto, seja pela privação de seus próprios bens e qualidade de vida material, seja por ter de presenciar alguém que se ama sucumbir diante dessa verdadeira chaga que é “estar endividado”.

A primeira grande notícia é que, entendendo esse complexo mecanismo, é possível não somente amenizar a dor, entender suas origens, mas, principalmente, superar a “morte”, voltando a viver novamente, em um mágico processo de renascimento espiritual, moral e social.

A segunda e mais inspiradora notícia, que reflete a essência de tudo que eu aprendi, lidando não somente com endividados, mas com pessoas em diversos estágios do luto, é que, apesar da “morte em vida” ser grave e poder conduzir à morte propriamente dita, o ruído de um coração batendo, ainda que fraca e lentamente, e o suspiro de um ser humano respirando, representam a certeza de que, aquela pessoa, apesar de toda dor e sofrimento, ainda está viva, logo, ainda pode voltar a viver.

Nenhum médico ou cientista irá discordar de mim, quando afirmo que é mais fácil reviver alguém que se encontra em coma moral, do que alguém cujo peito parou de bater, alguém que já soltou o seu último suspiro de vida, no mundo como o conhecemos.

Mesmo que pareçamos mortos, estar vivo faz toda a diferença. Pois, superadas as fases críticas do luto, o que vem, em seguida, é a vida, linda e resplendorosa como ela é.

Ultrapassada a depressão, surge a aceitação, que é o momento em que a pessoa, e aqueles que a amam, começam a ver a situação com mais realismo, com mais ponderação. Nesse momento, o monstro do impossível cede lugar à certeza de que tudo não passa de um obstáculo, poderoso, sim, mas que pode ser vencido, bastando, para isso, simplesmente … Estar vivo!

Mãos, mentes e corações a postos, é hora de iniciar o próximo passo dessa dura viagem. Encerrado o luto, é hora da AÇÃO!

4. Após a aceitação, hora de AÇÃO!

O processo de endividamento excessivo assemelha-se às mais dolorosas e cruéis doenças que podem acometer um ser humano ou uma família.

A exemplo do que ocorre na grande maioria das enfermidades, quanto mais cedo se chegar ao diagnóstico, melhor. Seja um câncer agressivo, seja uma doença auto-imune, seja uma grave infecção, descobrir a tempo é essencial ao processo de cura.

O oposto, contudo, pode tornar irreversível todo o processo, conduzindo as pessoas à morte, seja a “morte em vida”, seja a morte real.

Milhares de pessoas praticam atos de suicídio em todo o mundo. Nem todos eles são motivados por dívidas, mas por processos muito semelhantes, como por exemplo, o uso de drogas, que percorre um caminho muito semelhante ao das dívidas, sem contar que existem diversas outras dificuldades graves na vida.

Infelizmente, já conheci suicidas e “ex-suicidas”. Seja qual for o caso, que faz com que seres humanos pratiquem o mais grave e extremo ato contra si mesmo, sempre detectei a presença de um elemento comum a quase todos os casos: a solidão!

Pior do que passar pelo pior, é fazê-lo sozinho, sem apoio, no escuro de um quarto vazio, muitas vezes dentro de uma casa cheia de pessoas ruidosas, que, muitas vezes, sequer imaginam o tamanho da dor. E o tamanho de nossa solidão.

Atenção aos sinais. Se perceberem mudanças importantes no comportamento de seus familiares ou amigos, fiquem atentos. A depressão nem sempre é causa, sendo, na maioria dos casos, consequência, uma resposta do corpo aos transtornos da mente, que sofre e agoniza em silêncio.

Se acontecer com vocês, peçam ajuda. Não se afoguem em meio metro de água. Sabendo ou não nadar, basta ficarem de pé: verão que nada é tão grave quanto parece.

Igualmente, não permitam que outras pessoas apontem os dedos para vocês e os julguem. Boa parte dos “juízes da vida alheia”, ou não sabem o que assola uma mente mergulhada em dor, ou tentam julgar seus semelhantes para esconderem suas próprias tristezas e angústias.

Compartilhem suas dores com seus amigos. Um dos grandes ganhos colaterais desses momentos terríveis vida é podermos reconhecer quem são, de fato, nossos verdadeiros amigos.

Quando estamos bem, endinheirados, esbanjando alegria (ainda que falsa), é assustadora a quantidade de pessoas que se aproximam. Quando o inferno, todavia, aproxima-se, assistimos, perplexos, à debandada de grande parte daqueles que julgávamos nos quererem bem.

Não fiquem magoados, revoltados ou tristes com isso. Ao contrário, devemos agradecer a Deus por nos mostrar aqueles que, de fato, são nossos verdadeiros amigos. Trata-se do sagrado processo de seleção natural da vida.

Um aviso: muito cuidado! Amigos nem sempre são aqueles que se oferecem para emprestar dinheiro. Na verdade, muitos oportunistas surgem nesses momentos.

Amigos são seres abençoados, que não nos deixarão morrer na solidão. E, quando conhecemos essas pessoas, ou quando elas se mostram, é que podemos ver o quanto somos ricos e abençoados por Deus.

Quando superamos a “morte”, a vida recomeça, a alma renasce, e podemos voltar a respirar o doce ar puro dos que são agraciados pelas mãos de Deus, que tiveram a bênção de, depois de estarem quase mortos, voltarem a viver!

Espero ter podido ajudar. Assim como vocês, já passei por diversos momentos de “morte em vida”. E, toda vez que morri, encontrei forças e pessoas, principalmente de minha família, que me ajudaram a ficar de pé.

De tanto quase morrer, aprendi a renascer. E, se Deus me deu essa glória, de voltar à vida, tantas vezes, é porque devemos aproveitá-la, correto?

Fiquem com Deus.

Belo Horizonte (MG), 03 de junho de 2019.

André Mansur Brandão
Advogado, Especialista em Dívidas e Escritor.

NOTA DO AUTOR

Quando ultrapassamos a marca de 2 milhões e quatrocentas mil pessoas no Facebook, vivi um momento de incredulidade. Nunca imaginava que pudéssemos atingir tantas pessoas. Pessoas começaram a me reconhecer em lugares públicos, festas e em diversas situações até mesmo inusitadas.

Os poucos que me conhecem de perto sabem que isso nunca seria algo que eu buscaria, pois eu adoro ser invisível. Mas não consigo. De qualquer forma, ser lido por milhares de pessoas, e ter seu trabalho reconhecido é muito, muito bom.

Com a visibilidade, contudo, vem a responsabilidade. Tudo tem um preço. Eu bem que sei disso. Diariamente, centenas de pessoas, do Brasil inteiro e do mundo, enviam-me mensagens sobre os mais variados temas e assuntos. Contam suas histórias, seus medos e seus sonhos.

E isso me faz alternar momentos de alegria extrema à tristeza profunda, várias vezes, no mesmo dia. Da mensagem do leitor que me comunica, radiante, que vai ser pai, até a mensagem de outro, que acabou de perder um filho. Do céu ao purgatório, em segundos.

Isso sem contar a minha própria profissão, que é quase uma versão em menor escala desse mundo chamado redes sociais. Em ambos os casos, sinto que posso fazer algo. Mas, quando não é possível, “quase morro”, mas renasço, de novo, como na crônica acima.

Converso muito com uma amiga psicóloga, que me ajudou a lidar com essa montanha russa de emoções. Mas eu sou muito humano. Sendo assim, sou muito falho. Não sei se isso me faz bem ou mal, mas sei que, de uma forma ou de outra, eu posso ajudar alguém, ainda que seja uma pessoa, dentre milhões.

A crônica acima nasceu como resposta à três mensagens que recebi. Três pessoas endividadas com cartão de crédito, cheque especial e, a mais preocupante delas, com muitas dívidas de impostos, e ameaças de prisão (sim, dever impostos é crime).

Escrevi a cada uma delas sobre os pontos específicos de seus casos. Mas pensei: “por que não escrever algo, que alcance milhares de pessoas, que possa ajudar não somente com seus casos pessoais, mas na forma de lidar com eles?”

E assim nasceu a presente crônica.

Se puder ajudar apenas uma pessoa, a missão já estará cumprida, mas sinto que seu conteúdo tocará muitos corações. Se acharem que pode ajudar alguém, compartilhem, mas, em hipótese alguma, julguem aqueles que, por uma infelicidade mergulharam no pântano escuro das dívidas.

Após quase 30 anos de experiência, posso afirmar: o mau caráter é a exceção!

André Mansur Brandão
Diretor-Presidente

ANDRÉ MANSUR ADVOGADOS ASSOCIADOS

O Vento Contra o Suor!

A história que vou contar-lhes agora aconteceu em minha cidade-natal, Belo Horizonte.
Eu tinha por volta de quatorze anos de idade. Pouco mais, pouco menos.

Não sei se andar de bicicleta era um esporte ou um vício. Eu e um colega adorávamos rodar pela cidade, de um lado para o outro, em nossas bicicletas de 10 marchas. Era uma época onde o trânsito era muito menos agressivo do que é hoje.

Um de nossos passeios favoritos era ir subir a Avenida Barão Homem de Melo, até chegar no alto, próximo ao BH Shopping. De lá, fazíamos uma descida alucinante pela Av. Nossa Senhora do Carmo até a Savassi.

Quem conhece a cidade, sabe que o trajeto é bem difícil. Na época, nem a Barão, nem a N. Sra. do Carmo tinham quebra-molas ou qualquer obstáculo no asfalto. Eram poucos sinais de trânsito, o que tornava as vias extremamente rápidas, exceto na forte subida, que somente era vencida após muito esforço e muito cansaço.

Após a subida, a grande “onda” era descer a Av.  N. Sra. do Carmo. Usávamos os freios somente quando nos aproximávamos  da Av. Do Contorno, na Savassi. Chegávamos a velocidades incríveis, o que nos proporcionava uma louca sensação de pura adrenalina.

Se meu filho por acaso ler esta minha crônica, peço, por favor, que nem tente repetir isso. Nos dias de hoje, a quantidade de quebra-molas e sinais de trânsito torna a aventura impossível e sem-graça. Ou provavelmente fatal!

De qualquer forma, nunca vou esquecer o quanto era gostosa aquela louca descida. Fomos os pioneiros, mas em pouco mais de dois meses outros adolescentes começaram a imitar o trajeto. Dentro de muito pouco tempo eram vários ciclistas mergulhando na Savassi, com seus pedais quase tocando o asfalto, a milímetros do limite máximo.

Como todos podem perceber, a parte mais emocionante da “viagem” era descer a avenida. Mas devido ao grande esforço da subida e, principalmente, devido à distância do bairro da Savassi até o início da subida, conseguíamos fazer este trajeto apenas uma vez por dia, nos fins de semana.

Pena que, como sempre, alguns gostam de usar atalhos. Ao invés de subirem pela Barão para chegarem no alto e descer, diversos meninos ricos levavam suas bikes direto para o topo da Av. N. Sra. do Carmo, na traseira de suas pick ups de luxo. Assim, podiam descer várias vezes no mesmo dia.

Um dia, meu colega, visivelmente desanimado, disse que seu sonho seria comprar um carro daqueles, para poder descer várias vezes. Fiquei pensando, pensando, até que respondi:
– Eles podem descer quantas vezes quiserem. Mas nunca sentirão em seus rostos o contraste do suor da subida com o vento da descida!

Fato é que a prática acima gerou grande congestionamento de bicicletas descendo a avenida, o que começou a causar acidentes. Isso, associado à alta velocidade dos próprios veículos que por lá trafegavam, já que se trata de uma das principais vias de acesso a Belo Horizonte, fez com que a prefeitura enchesse a avenida Nossa Sra. do Carmo de quebra-molas e sinais de trânsito. E a aventura acabou…

As pessoas passam a vida toda tentando atingir o sucesso, a qualquer custo. Tomam atalhos, trapaceiam, enfim, quanto mais curto for o trajeto, melhor. Mas, o que a grande maioria delas se esquece é que, tão ou mais importante do que chegar lá, é ter na lembrança as marcas de sua história. Os obstáculos vencidos, a superação de limites, as lágrimas derramadas… Tudo isso é que faz chegar lá ser tão especial.

Principalmente, porque a grande maioria de nós, nunca irá chegar.

Na medida em que nos aproximamos de nossos sonhos, o topo, ironicamente, muda de lugar. Quando estamos perto de conseguir, passamos a querer mais, e mais e mais. Somente chegarão ao cume do sucesso aqueles que aceitarem os limites que vida impuser. O que torna a subida muito mais importante do que o “estar lá”.

Desfrutar do que se conquista é muito gostoso. Muito mesmo. A sensação de ver o esforço reconhecido pelas vitórias é única. Vim de uma família pobre, o que me faz valorizar cada degrauzinho que subo.

Todavia, sei que tudo acontece na exata medida do merecimento. No momento em que estivermos prontos, nosso esforço será recompensado.

Eu nunca apreciaria um bom vinho se não tivesse tomados os ruins. Nunca saberia reconhecer a mulher perfeita, se não tivesse me arriscado e acreditado no amor. Nunca teria sentido a maravilhosa sensação de ser pai, se não tivesse aberto mão de meu ego. E nunca sentiria o prazer de advogar, se não tivesse acreditado na justiça.

Sigo minha vida, acreditando e tentando. Pedalando e suando. Mas não vou mentir. Ninguém, nunca, irá retirar de mim o prazer de, aos meus 14 anos de idade, sentir o suor da subida contrastar com o vento da descida em meu rosto.

Apreciem suas vidas… Como aprecio a minha!

Fiquem com Deus!

André Mansur Brandão
Diretor-Presidente

ANDRÉ MANSUR ADVOGADOS ASSOCIADOS

Cartão de Crédito

Comodidade para uns, inferno para outros… Criado para facilitar a vida das pessoas, o CARTÃO DE CRÉDITO acabou por se tornar uma das mais perigosas armadilhas para milhões de consumidores desavisados.

Isso porque, ao invés de ser usado simplesmente para agilizar o processo de compra e venda de bens e serviços em estabelecimentos comerciais, o desvio das funções desse importante instrumento criou uma forma simples, porém descontrolada, de endividamento das famílias.

Além da possibilidade de parcelamento das compras a juros – digamos, extorsivos – o chamado “dinheiro de plástico” possibilita a retirada de dinheiro em espécie, exatamente como se fosse uma modalidade normal de empréstimo. E tudo isso a juros e encargos que podem chegar até a 30 POR CENTO AO MÊS!

Existem duas formas de uso sadio do cartão de crédito. A primeira, através do chamado cartão pré-pago, é a modalidade em que o consumidor repassa para as administradoras de cartões um valor prévio, para depois ir gastando na medida de suas necessidades.

Infelizmente, existe pouco interesse por parte dos gestores na comercialização desse tipo de produto, sujeitado-os a inúmeros limites e regras.

A outra forma de uso seria a convencional, como todos conhecem. Compra-se a crédito, mas o pagamento é feito à vista, do total do desembolso. Seria perfeito, caso os consumidores tivessem disciplina para comprar somente o que conseguiriam pagar. E à vista!

Os grandes vilões da história são os mesmos de sempre: os chamados JUROS ABUSIVOS. No caso dos cartões de crédito, entretanto, quando o assunto é crédito rotativo ou parcelado, poucas coisas conseguem ser mais cruéis do que as taxas aplicadas a essas modalidades, que podem criar para os devedores dívidas em valores astronômicos, já que atingem os absurdos percentuais de até 30%.

O problema não é de fácil solução. Em um mundo capitalista, as pessoas são avaliadas pelo que têm e não pelo que são. Os estímulos ao consumo desenfreado é ostensivo e constante. Ofertas excessivas violentam o consumidor dia e noite, dentro e fora de suas residências.

Além de uma educação financeira eficiente, iniciada até mesmo na fase de alfabetização de nossas crianças, é fundamental incentivar o uso consciente do crédito. Mas, de quem seria o interesse de curar uma doença grave chamada ENDIVIDAMENTO, se quem cuida do hospital são exatamente os mesmos que vendem os “remédios”?

O consumidor deve ficar muito atento para não perder o controle sobre os seus gastos com o cartão de crédito. Uma vez no rotativo, dificilmente conseguirá sair sem ajuda de um profissional – seja de um psicólogo, seja de um advogado.

É muito importante saber que existem opções para quem perder o controle de seus gastos e dívidas com cartões de crédito. Existem muitas (várias) ilegalidades cobradas por bancos e administradoras. Uma dívida elevada pode sofrer descontos consideráveis.

O mais importante é não perder a calma, para que não se afogue em águas rasas. Sempre há uma solução. Sempre!!!!

Conhecer seus direitos é a melhor forma de defendê-los!

André Mansur Brandão
Diretor-Presidente

ANDRÉ MANSUR ADVOGADOS ASSOCIADOS

Os Vingadores, o Filme

Alerta: contém spoilers, mas ninguém liga, pois já contaram o filme todo, mesmo. Que prazer sádico é esse do ser humano, que corre para assistir a um filme, somente para contar para os outros depois? Se você for um desses seres monstruosos, procure ajuda profissional, pois eu já procurei.

O filme é um sucesso total. Mais de duas horas de pura diversão e entretenimento. Mesmo as estatísticas divergindo, dizem que “Os Vingadores” superaram, e muito, a bilheteria de Titanic.

Eu assisti e posso garantir: vale muito a pena, mesmo com Tony Stark, o Homem de Ferro, morrendo no final.

Pronto, falei!

Essa triste informação, na verdade, pouco importa, em função da trapaça que fizeram no enredo do filme. No último episódio, como todos se lembram, o Bem tinha perdido feio para o Mal, representado pelo vilão Thanos, que conseguiu exterminar metade do universo.

Apesar dessa vitória triste e inesperada do Mal sobre o Bem, que contraria a essência de tudo em que acreditamos, o jogo tinha sido limpo.

Venceu o melhor, digo, o pior, digo, o Mal. Deu para entender?

Na verdade, a vitória veio para quem explorou melhor as suas possibilidades e não mediu esforços para vencer. O Bem até que tinha jogado bem, mas o Mal entrou mais focado, mais determinado.

Era tão grande a vontade do Mal em vencer, que Thanos chegou ao extremo de assassinar uma de suas filhas, para conseguir a pedra que faltava para lhe dar o poder supremo para acabar com o mundo.

Logo, tecnicamente, ele mereceu a vitória. No filme anterior, como todos devem se lembrar, “Os Vingadores” perderam feio.

Mas o VAR, da Marvel, anulou não somente os lances finais, mas o próprio jogo. Tony Stark inventou uma máquina do tempo e o jogo foi reiniciado. Para quem não sabe, VAR são recursos eletrônicos usados em alguns esportes coletivos para tentar reduzir o erro dos árbitros, principalmente em partidas de vôlei, basquete e, agora, no futebol.

No caso de “Os Vingadores”, esse lance de “máquina do tempo” foi uma grande trapaça, em minha humilde opinião. E, por conta dessa maracutaia, todos os que tinham morrido no episódio passado, voltaram a viver.

Peço licença na narrativa para contar para vocês um acontecimento que me marcou muito, durante a sessão do filme.

Apesar de quase não conseguir retirar meus olhos da tela 3D, uma situação de real emergência chamou-me ao banheiro. Eu tinha de eliminar uma parte dos vários litros de refrigerantes que havia tomado, desde o início dos trailers do filme.

Sei que refrigerante faz mal para a saúde, mas …

Graças ao fenômeno ilegal da venda casada, que ocorre dentro de quase todos os cinemas espalhados pelo Brasil, eu fui obrigado a comprar um enorme balde de desentupidor de pias (eufemismo para refrigerante), junto com a pipoca, que vinha em um recipiente feito na forma da poderosa manopla, que concede poderes supremos sobre a humanidade.

Fui obrigado a comprar, pois era a noite de lançamento do filme, e eu não acharia nenhum juiz disposto a conceder uma liminar, obrigando a empresa que administra as salas de cinema a me vender a pipoqueira-manopla, sem ter de comprar a porcaria do refrigerante.

Até porque certamente a grande maioria dos juízes deveria estar assistindo ao filme, também. E eu tinha de ter aquela manopla. Vai que ela funciona, mesmo?

Fato é que, como o trem (refrigerante) tava lá, com canudinho, geladinho e borbulhante, eu acabei tomando. E muito. O que me levou ao banheiro.

Minha falta de força de vontade, e minha fraqueza em resistir àquele líquido geladinho, todavia, fez-me assistir a uma cena inusitada.

Quando eu estava quase chegando à porta do mictório (banheiro), o pessoal da sessão que tinha acabado exatamente naquele momento, saiu comentando o filme.

Um pós-adolescente temporão, com os olhos rasos de lágrimas, disse para seu namorado:

– “Nossa, amor, eu não aguentei quando o Homem-Aranha apareceu, vivinho. Estou chorando até agora.

Abraçaram-se, ambos emocionados, e se beijaram, seguindo em direção à saída das salas de cinema.

Essa cena, contudo, encheu-me de raiva e de repulsa.

Que direito eles tinham de dar um spoiler daqueles, sabendo que, quem saía da outra sala de cinema, ainda não tinha chegado nessa parte? Achei uma imoralidade.

Aquela revelação, inoportuna e inconveniente, todavia, produziu em mim uma verdadeira epifania. Meu cérebro expandiu-se em níveis absurdos e comecei a sentir tremores e calafrios.

Meu coração batia forte, meu corpo suava e senti minhas pernas levemente molhadas e trêmulas.

Corri para o banheiro, rapidamente, e fiz o que deveria ter feito antes, o que me fez melhorar, rapidamente, grande parte dos sintomas.

Ao sair, contudo, minha mente não parava de pensar.

Se o Homem de Ferro, com sua inteligência e grana, conseguiu fazer o tempo voltar, com sua engenhosa máquina do tempo, a Marvel tinha inventado o conceito de franquia eterna.

Nenhum personagem mais seria mortal. Todos poderiam ser ressuscitados, ainda que mortos em batalhas. Assim, o Bem poderia até perder para o Mal, mas no próximo filme, os derrotados mortos poderiam estar lá, mais vivos do que nunca, e ter uma segunda chance.

Sim, o Homem-Aranha aparece vivinho. Podem comemorar. Eu também o acho muito carismático.

Thor, que no início do filme aparece como depressivo e alcoólatra, encontra com a sua mãe no passado, e conversa com ela, antes que ela morresse.

Foi nesse momento do filme que eu realmente chorei.

Chorei calado, em silêncio, até que meu filho e minha esposa perceberam, e, mesmo sem que eu explicasse nada, abraçaram-me carinhosamente, aquecendo meu corpo, com o calor que somente quem tem uma família deliciosa pode receber.

Minha mulher e meu filho sabiam no que eu estava pensando. E se pudéssemos, realmente, voltar no tempo?

Eu regressaria quase cinco décadas, e mesmo sendo um bebê de pouco mais de um ano, diria ao meu pai o quanto o amo e o quanto ele ainda iria se sentir orgulhoso de mim.

Pediria que ele não ficasse com raiva de Deus, por ser chamado de forma tão precoce, e de ser privado do convívio de sua família, a quem sempre dedicou e amou.

Diria que, mesmo saindo tão cedo de nossas vidas, deixou um legado de decência e honestidade, que não somente nos honrou, como nos referenciou, em nossas vidas.

MINHA MÃE?

Ah, mãe, se eu pudesse voltar no tempo e ter mais alguns instantes para conversar com a senhora, como Thor teve no filme… Eu lhe diria que, com a sua passagem, todos nós perdemos nosso chão, devido à forma tão brusca e cruel como tudo aconteceu.

Eu lhe diria, entretanto, mamãe, que não se preocupe. Para nós, o chão pouco importa, pois durante toda a sua vida, e antes de partir, a senhora nos ensinou a voar.

E estamos voando até hoje, mãe!

Seu neto está lindo, um pequeno homem de 1,95 metros de altura, e um caráter que nos enche de orgulho. Sem contar que cuida dos cabelos dele, exatamente como a senhora sempre ensinou. E se transformou em uma pessoa muito melhor do que eu jamais serei.

Sua irmã de coração, Denilde, minha madrinha e mãe-preta, tem cuidado muito de nós, já que seremos sempre crianças-adultas, vivendo e sobrevivendo nesse mundo de Deus.

Ah, eu voltaria no tempo e conversaria muito com ela. Contaria todas as novidades e, principalmente, que tudo vai indo muito bem, no melhor dos mundos.

Com um beijo, ela se despediria de mim e diria:

– Eu sei, filho, eu sei! Mamãe ama vocês todos demais. Agora, tenho de ir. Mas estarei sempre com vocês.

– Mãe, quando chegar a hora, se eu merecer, irei para perto da senhora. Mas pretendo demorar. Ainda tenho muito o que fazer por aqui!

CENAS PÓS-CRÉDITOS

Quem for assistir ao filme nos cinemas, ou for assisti-lo em suas casas, já vou avisar: não há cenas pós-créditos.

Assim que começar a aparecer aquele monte de informações na tela, e a tocar aquelas músicas de “fim de filme”, podem se levantar e irem cuidar de suas vidas.

No penúltimo filme, eu tentei sair durante os créditos, mas a funcionária do cinema, de uma forma quase policialesca, impediu-me. Quando mostrei para ela um habeas corpus preventivo, que me garante o direito de ir, vir, permanecer e de sair antes depois dos créditos, ela me cochichou no ouvido:

– Ainda tem filme!

Aí, claro, eu esperei. Sem contar que ela era bem grande e musculosa. E não me parecia nada amistosa. Era melhor ficar.

Dessa vez, nada disso. Terminou, terminou. É como se a Marvel nos dissesse:

Vão embora, pensem nas mensagens do filme. Pensem nas possibilidades. Não vamos fazer isso por vocês. Obrigado por encherem nossas contas bancárias em bilhões de dólares. Voltem em breve!

SPOILERS FINAIS

Como eu já disse, o mais interessante personagem da saga, em minha opinião, morre. O homem-de-Ferro, Tony Stark, bilionário, playboy e filantropo, como ele mesmo se definiu, entrega sua vida para o bem da humanidade, mas não resiste e faz a sua passagem, deixando esposa e uma linda filha.

Sim, ele tem esposa e uma linda filha nesse episódio. Mas nem fiquem tristes. No próximo, a máquina do tempo, que ele mesmo inventou, pode fazê-lo renascer. Voltar no tempo traz muitas possibilidades.

Outro personagem muito legal da série, Capitão América, tem um final bastante inusitado.

Como “Os Vingadores” conseguem reverter o genocídio de Thanos, o herói-galã ficou responsável por devolver as Joias do Infinito ao local e momento de onde foram retiradas, usando a máquina do tempo.

Ocorre que ele decide ficar na década de 1940, para viver ao lado de Peggy, a mulher que sempre amou. E ser, com ela, feliz para sempre.

Ou não!

Uma cena muito interessante, quase no final do filme, é que, enquanto “Os Vingadores” aguardavam seu retorno do passado, mas antes de saberem de sua decisão de se unir à Peggy, Capitão América ressurge, confortavelmente sentado em banquinho, próximo à máquina do tempo, bem idoso.

Idoso, mas ainda em ótimo estado, o que pode ser um indicativo de que a reforma da Previdência do Bolsonaro pode dar certo. Desde que compremos dos russos uma máquina do tempo. Dizem que já inventaram, mas tem sido usada para envelhecer vodka.

De qualquer forma, antes de voltar ao passado, para viver uma vida simples e apaixonada com sua amada, Peggy, Capitão América entrega seu escudo para outro super-herói, o Falcão, que aceita o encargo.

Parece que será o primeiro Capitão América negro da história. Na verdade, o segundo, já que o primeiro sempre será Barack Obama.

THANOS, O VILÃO!

Thanos é um personagem inspirado em Thanatos, outro vilão da Marvel. A semelhança de som do seu nome com a palavra “ânus” pode insinuar, de forma subliminar, que se trata de um “cuzão”. Nada disso.

Não se trata de um vilão comum. Thanos é um filósofo do mal. Nem sei se seu plano para destruir o mundo era tão cruel ou ilógico, tirando essa ideia meio clichê de dizimar toda a população da Terra, para começar do zero.

Olhemos em volta. O que temos no mundo, hoje?

Miséria extrema, fome, corrupção, ganância, países ricos destruindo o mundo, com poluentes e gases cada vez mais tóxicos e uma falta de moral generalizada.

O que ele propõe, afinal, nada mais é do que um apocalipse, para higienizar a face da Terra.

Suas intenções, todavia, nada possuem de nobres. Seu pragmatismo cruel e sua falsa noção de racionalidade escondem o fato de que Thanos deseja limpar o mundo para impor o seu próprio conceito do que é certo e errado.

Não se mata uma pessoa para combater sua infecção.

O ser humano, em sua essência, é bom. Pelo menos, esta é a crença que me mantém vivo e esperançoso com relação ao futuro.

A grande maioria das pessoas possui lados bons e ruins. Trabalhando a ética, a moral, e a consciência divina das pessoas, podemos ter um mundo muito melhor.

E é nesse mundo que eu desejo viver.

O mais grave pecado de Thanos, todavia, é que ele não deseja criar um novo mundo somente para dar uma nova chance à humanidade. Ele deseja controlar e dominar esse “novo mundo”, ditando o seu peculiar conceito do que seja certo e errado.

E, querer isso, torna-o não somente um vilão, mas um ser digno de repulsa, pois quer retirar do ser humano um de seus maiores direitos: o livre-arbítrio!

Mas, afinal, não é exatamente isso que todos os ditadores fazem?

EMPODERADAS

Uma cena muito legal no filme mostra a influência que o movimento feminista mundial tem sobre as produções cinematográficas. Em uma cena, todas as heroínas da Marvel, unem-se contra Thanos e o atacam.

Infelizmente, não conseguem vencê-lo, missão que ficou a cargo do Incrível Hulk, personagem masculino, o que pode ser um indicativo de que o cérebro de Hollywood ainda pode ser machista.

Ou não. Na verdade, quem se importa com isso? É apenas um filme, correto?

SPOILERS FUTUROS DA VIDA REAL

Se uma mente politicamente incorreta fosse escrever o próximo episódio da saga, e quisesse mexer com todos os mimimis da sociedade, não seria nada difícil.

Imaginem só.

Capitão América, após um divórcio altamente litigioso, separa-se de sua mulher, que leva metade de sua fortuna avaliada em mais de seis bilhões de dólares. Entra na Justiça, requerendo de Falcão o seu escudo de volta, o que provoca grandes transtornos sociais e uma verdadeira guerra entre brancos e defensores dos movimentos negros.

Em sua defesa, Falcão limita-se a dizer que, ao receber o escudo, e seguir a tradição do Capitão América, “ele tinha um sonho!”

Homem Aranha assume sua homossexualidade, muda-se para o Rio de Janeiro. Começa a praticar ginástica olímpica, mas desiste de fazer filosofia, devido ao corte de verbas federais nas universidades.

O Incrível Hulk assume seu lado besta, desiste de ficar indo e vindo entre duas personalidades e monta um grife de roupas plus size, que se torna uma das 100 empresas mais lucrativas, de acordo com a Revista Forbes.

Lanterna Verde, herói da DC Comics, concorrente da Marvel, surge, imponente, com uma missão para lá de polêmica: tentar proteger o mundo contra a Ameaça Vegana, que destrói vorazmente toda a vegetação do planeta Terra. Além disso, Lanterna tenta desmontar todas as barragens da Vale, antes que mais pessoas morram soterradas pela ganância daqueles para quem a vida humana nada Vale.

Será imperdível!

MORAL DA HISTÓRIA?

Aproveitem a vida!

Ao contrário do filme, o tempo não volta. O tempo caminha, lenta ou velozmente, mas sempre para a frente.

Amem mais, perdoem rapidamente, vivam de uma forma mais intensa, sem se esquecer de que pode vir um amanhã. Se vier, se Deus nos premiar com mais dias, mais anos, aproveitem.

Apreciem de forma prazerosa cada segundo que a vida lhes proporcionar de forma harmônica, equilibrada, porém apaixonada.

Um dia, vamos morrer. Mas, todos os demais dias de nossas vidas, vamos viver.

A vida nos dá uma quantidade limitada de tempo para usufruirmos, para fazermos algo que sobreviva a nossa passagem. Deus não permite que o tempo volte. Mas nos deu uma coisa muito mais valiosa: começar cada dia como se fosse uma nova vida.

E a certeza de que, melhor do que fazer o tempo voltar, é aproveitar o tempo, enquanto estamos por aqui.

Para que, no dia em nos formos, deixemos mais do que tristeza e dor: deixemos saudades, memórias e, principalmente, exemplos que poderão ser seguidos pelas gerações futuras.

Esse, sim, é o conceito de vida eterna.

Sendo assim, vamos viver?

Saúde e paz para todos.

Que Deus encha nossas vidas de tudo do bom e do melhor.

 

André Mansur Brandão
Diretor-Presidente

ANDRÉ MANSUR ADVOGADOS ASSOCIADOS

 

 

A jabuticabeira e as orquídeas

Qual, dentre todas as flores, seria a mais bela? As rosas, tão perfumadas, tão lindas, tão simbólicas … Com seus labirintos enigmáticos, seriam as rosas as mais lindas dentre todas as flores?

Ou seriam as tulipas, com sua variedade de cores, que mais se assemelham a perfeitos cálices do mais delicioso néctar?

E os girassóis, que iluminam qualquer paisagem, como o próprio sol o faz?

Difícil saber … Talvez todas sejam perfeitas, seja pelos olhos de quem as vê, pelo olfato de quem as sorve ou, simplesmente, pelo tato de quem as toca. Ah, as flores …

Como tenho sido constantemente acusado de somente abordar temas polêmicos, hoje vou contar para vocês uma linda história sobre flores. Acho que não tem como gerar confusão, já que flores são flores. Então, nada pode dar errado, correto?

Na casa onde minha mãe mora há uma linda jabuticabeira. O que a faz ser mais bonita do que as outras é o contraste de suas cores naturais com a paisagem bucólica de uma metrópole. É como se, no meio de tantos prédios, uma ilha verde se erguesse, imponente, intocável. Uma verdadeira sobrevivente!

Um de meus lugares favoritos é uma mesinha simples, de metal, colocada próxima à sombra da jabuticabeira. Sento-me lá quase todos os dias. Principalmente nos últimos dias.

Eu, minha mãe, minha madrinha e minhas irmãs adoramos simplesmente ficar ali, olhando aquele simples – porém lindo – espetáculo da natureza que, apesar dos ataques da modernidade, sobrevive de forma valente.

Às vezes, nem conversar conversamos. Estar ali, em silêncio, já nos basta. Nem percebemos o tempo passar. Apenas respiramos aquele ar puro, lentamente, sem pressa. E observamos as nuvens mudarem seus desenhos no céu. Já pensaram como as nuvens parecem ser impressões digitais de Deus?

Nos dias de chuva, observamos a jabuticabeira pela janela. Fica ainda mais linda! Pingentes de água proporcionam um verdadeiro show de pureza e simplicidade. Como eu adoro aquele lugar …

Há alguns meses, todavia, “alguém” teve uma ideia aparentemente maravilhosa. Colocar duas orquídeas no tronco da jabuticabeira, para torná-la ainda mais linda. E lá elas foram afixadas, conferindo cores vivas à paisagem já tão perfeita.

Algo estranho, no entanto, aconteceu. Inexplicavelmente, a frondosa árvore parou de dar flores. Ela continuava ali: linda, verde, encantadora. Porém, parecia estéril. Sua viva cor verde perdeu intensidade. Nenhuma florzinha surgiu. Nada indicava que teríamos frutos neste ano. O que poderia ter acontecido?

Adivinhem o que fez com que aquela linda árvore, que há tantos anos resistiu a toda sorte de agressões da cidade grande – como poluição e calor – parasse de dar frutos? Exatamente o que vocês estão pensando: as lindas orquídeas!

Instaladas bem no baixo tronco da jabuticabeira, elas estavam sugando boa parte da água e da energia vital da árvore, impedindo que ela florescesse e pudesse dar seus frutos.

As lindas e delicadas orquídeas estavam, de uma forma lenta (porém cruel!), matando nossa árvore, impedindo-a de prosseguir com o mais lindo espetáculo da natureza, que é a continuidade da vida.

Há um provérbio popular que diz:

“Até as flores medem a sorte. Enquanto umas anunciam a vida, outras consolam na morte!”

Quase que instantaneamente, retiradas as orquídeas, as flores retornaram, brancas e vigorosas. Das flores, frutos ainda pequenos já despontam. Eles se transformarão, no devido tempo da natureza, nas deliciosas e perfumadas jabuticabas.

Muitas delas terão o rumo certo de nosso paladar. Mas, o mais importante é que a vida seguirá seu curso.

E eu vos pergunto: quantas pessoas agem em nossas vidas exatamente como as lindas orquídeas que minavam a energia de uma árvore tão grande, tão forte?

Quantas pessoas aproximam-se de nós, apenas para sugar nossa força vital, ainda que disfarçadas de amigas? Ainda que para dar uma falsa sensação de cor à nossa existência? Quantas pessoas tentam, de uma forma dissimulada, retirar nossa alegria de viver?

Existem diversas pessoas tóxicas espalhadas por aí. Muitas, estão disfarçadas de lindas orquídeas ou de outras formas ainda mais sedutoras, que agem em nossas vidas como verdadeirosvampiros emocionais.

O irônico é que não é nem um pouco difícil reconhecer tais pessoas nocivas. Mesmo que se escondam por detrás de belas formas ou embalagens encantadoras, a energia que emitem torna sua identificação fácil.

Não se iludam, todavia. Apesar de ser fácil descobrir quem são nossos parasitas, é muito difícil nos afastarmos deles. Em nossa história real, duas lindas orquídeas, duas das mais lindas criações de Deus, acabaram por se transformar, involuntariamente, em abjetas vampiras.

O que dizer, então, das pessoas que de nós se aproximam, travestidos de amigos, com o único objetivo de viver às custas de nossa energia?

Retiro, para mim, duas grandes lições. A primeira é que não precisamos nem podemos odiar as orquídeas. Em seu ambiente próprio, elas deixam de ser parasitas e passam a ser o que, de fato são: lindas criações de Deus! Criações que, ao invés de minar as energias de outros seres, entregam sua beleza para transformar a vida em um paraíso de cores.

A segunda lição, e talvez a mais importante, é que precisamos redobrar nossa atenção para podermos identificar as pessoas que tentam viver às custas de nossa fonte vital, de nossos sonhos. Como eu disse, é fácil identificar, pois ao contrário das orquídeas que exalam um delicioso aroma, os parasitas fedem!

Fiquem com Deus!

André Mansur Brandão
Diretor-Presidente

ANDRÉ MANSUR ADVOGADOS ASSOCIADOS

 

Vale Oferece R$ 100.000,00 por Vítima

UTILIDADE PÚBLICA! MUITO IMPORTANTE!

VALE OFERECE R$ 100.000,00 (CEM MIL REAIS) POR VÍTIMA

Diversas pessoas estão me consultando pelas nossas redes sociais sobre essa notícia que saiu nos jornais de hoje, querendo saber minha opinião, se devem ou não aceitar o dinheiro e, se aceitarem, se abrirão mão dos demais direitos que tiverem.

Claro que não vou deixar de ajudar, ainda mais nesse momento de tamanha dor e da imensa necessidade das famílias que perderam seus entes queridos.

Vamos pular a parte emocional dessa questão tão dolorosa e tentar ser mais práticos. Nada vai trazer os entes queridos que partiram de forma tão trágica de volta.

Nada!

Muitos dos que faleceram, contudo, eram arrimos de família.

Mantinham suas casas ou ajudavam muito no orçamento familiar. Suas ausências, além da dor insuportável que já provou, ainda vai causar muitas privações financeiras aos seus entes queridos, que ficaram.

Meu aconselhamento, nesse sentido, é que recebam, sim, o valor ofertado pela empresa, o mais rapidamente possível.

É bem provável que a Vale, através de seus advogados, obriguem os beneficiários a assinarem documentos que dêem quitação desses valores, e que colham declarações dos familiares, no sentido de que não procurarão a Justiça para receber seus direitos complementares.

Em meu humilde parecer, como Advogado, não acredito que nenhum juiz vai entender e aceitar que, assinar esses documentos, retira dos beneficiários das vítimas a possibilidade de, em um futuro próximo, revindicarem seus demais legítimos direitos, que certamente existem, e que certamente ultrapassam o valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais) oferecido pela Vale.

Qualquer declaração ou termo de recebimento e quitação, que tenha a pretensão de retirar da Vale a sua responsabilidade plena, cível e criminal, a meu ver, será completamente anulável em juízo.

Não somente pela gravidade da situação, mas, principalmente, pelo precário estado psicológico dos familiares nesse momento, além de suas necessidades imediatas, fatos que, associados, caracterizam o chamado vício de consentimento.

Assim, recebam o valor e amenizem suas dificuldades momentâneas. Leiam os documentos que lhes derem para assinar e, se houver qualquer declaração de quitação ou isenção de responsabilidade futura, escrevam uma ressalva no documento, dizendo que não aceitam os termos.

Se se recusarem a pagar, devido à ressalva, assinem e recebam. Não tenho dúvidas de que os juízes serão não somente favoráveis a vocês, mas como punirão a Empresa, ainda mais severamente, no caso de ocorrer essa lamentável tentativa de coação.

Dentro do possível, responderemos as perguntas de todos, sempre de forma privada, e sempre garantindo o sigilo e a privacidade de todos vocês, que passam por uma dor inimaginável, em que a perda dos entes queridos se mistura à sensação de revolta pelo descaso com as vidas que se perderam.

Com o tempo, posso lhes garantir, a dor dá lugar à saudade que, ainda assim, continuará a doer, mas de uma forma cada vez mais amena, menos angustiante.

E a vida seguirá o seu curso natural para os que ficaram, que ainda têm muito o que fazer por aqui.

Deus nos abençoe a todos.

E que Ele tenha recebido em seu colo todos os que se partiram de forma tão trágica e repentina, deixando um oceano de saudade, nunca de lama, nos corações de todos que os amaram e sempre amarão.

Por toda a eternidade!

Belo Horizonte (MG), 30 de janeiro de 2019.

 

André Mansur Brandão
Diretor-Presidente, Advogado

ANDRÉ MANSUR ADVOGADOS ASSOCIADOS

Quanto VALE uma Vida?

Brumadinho: crime ou tragédia?

 A triste e revoltante reprise de um recente filme da vida real, que provocou a morte de diversas pessoas e a destruição da vida de milhares de outras em Mariana, volta a ocorrer em Brumadinho, em proporções ainda mais graves.

Poucas vezes na vida fiquei sem palavras. Desde pequeno, eu falo o tempo todo. Falo e escrevo, sem parar. Com o passar dos anos, fui ficando mais seletivo, mas continuo falando e falando … E falando.

Por isso, tenho tanto medo de me manifestar sobre o que está acontecendo em Brumadinho, Minas Gerais. Tenho medo de falar algo do que eu possa me arrepender depois.

Infelizmente, não controlo isso. Mesmo sem palavras, vou ter de falar. Senão, posso me sufocar.

A dor e a indignação por Mariana ainda estão na garganta. Uma cidadezinha histórica, perto da formosa Ouro Preto, a pouco mais de cem quilômetros de Belo Horizonte. Vidas e histórias destruídas.

Agora, Brumadinho. A linda e aconchegante Brumadinho. Pertinho de BH, um dos roteiros turísticos mais visitados. Desde o conhecido Instituto Inhotim, até a simples e aconchegante cidade, com suas lindas e acolhedoras pousadas. É Minas para todo lado.

Meu filho e seus colegas estavam lá, há pouco mais de um dia dessa tragédia criminosa. Congelo minhas pernas só de pensar nisso.

Muito pouco depois do vazamento da barragem, comecei a receber mensagens, de todo o tipo, vindas de todas as partes. Desespero total. Pânico, angústia, sofrimento, enfim, toda sorte de sentimentos ruins criaram uma densa nuvem de dor sobre nossa região.

E assim, estamos, até agora. Imersos na dor. E apavorados pelo fato de que o pior pode ainda não ter acontecido em sua abjeta plenitude.

Ao mesmo tempo em que vidas são procuradas na lama, ainda existe o forte risco de novas rupturas de outras barragens, irresponsavelmente localizadas na região.

Canalhas! Dessa vez, vocês vão ter de pagar!

O preço da impunidade é a reincidência criminosa. Três anos depois de Mariana e ninguém sequer chegou perto da prisão. Ninguém foi responsabilizado.

Exceto as milhares de vidas vitimadas pela Samarco. Sim, foram milhares. Não somente as vidas perdidas, mas todas as que foram tocadas pela destruição, pelo desamparo ou pelo desemprego, que seguiu o curso do Rio Doce, até chegar no mar.

Vidas arrancadas. Vidas tocadas, da pior forma possível.

Criminosos! Isso é o que vocês são: criminosos!

Apesar da revolta, a hora é de fé, de esperança. O governador do Estado de Minas, em mais uma infeliz manifestação, afirmou que somente serão resgatados corpos, da lama.

Ele está errado!

Novamente. Ainda há vidas a serem salvas. Eu tenho certeza de que muitas vidas ainda surgirão, seja da lama, ou de qualquer lugar oferecido por Deus para proteger seus filhos.

Muitos perderam tudo. Mas ninguém pode perder a esperança.

Feito o rescaldo, temos de passar o Brasil a limpo. Não temos muito tempo. Antes que aconteça de novo. E de novo, e de novo.

Até que chegue o dia em que, estaremos tão acostumemos com a dor, que não mais a sentiremos, por estarmos anestesiados ou insensíveis, pela banalização da vida humana, diante do interesse mesquinho dos que somente querem lucrar.

Que Deus abençoe e ajude a aliviar a dor de todos os que sofrem por suas perdas, e que Ele possibilite que mais pessoas sejam encontradas com vida.

E que essa nuvem de dor, que paira sobre todos nós, mineiros e brasileiros, possa dar lugar ao sol da esperança, de um futuro próximo, com mais segurança e decência, para todos nós.

Ninguém vai descansar, enquanto não houver JUSTIÇA!

A todos, que sofrem com essa dor, que não consigo sequer imaginar, que Deus esteja com todos vocês, aliviando seus corações, confortando-os nesse momento de tamanhas provações.

 

André Mansur Brandão
Diretor-Presidente, Advogado e Escritor

ANDRÉ MANSUR ADVOGADOS ASSOCIADOS

Ensaios Sobre a Tortura!

Quais os limites do ser humano? Seria possível quantificar, em números, a dor a que um homem pode ser submetido?

Ela deveria ter em torno de 40 anos de idade. Talvez mais, talvez menos. As roupas que vestia permitiam concluir que não vinha de uma família rica. Nem pobre.

Trajes comuns, ela não era gorda, nem magra. Cabisbaixa, era fácil concluir que estava sofrendo. Gemia baixinho, de forma quase imperceptível.

A dor que sentia era intensa, pulsante e viva. A dor que tinha se tornado sua companheira dos últimos dias, aumentava, aos poucos, a cada longo segundo que se passava naquele lugar.

O lugar onde estava sentada era pouco iluminado. Uma espécie de corredor, frio e embolorado. Quando lá chegou, sentiu um forte odor de fezes e vômitos, que se misturava ao cheiro de adrenalina que exalava de outras pessoas que se sentavam ao seu lado.

Seus companheiros de corredor entravam e saíam, lentamente. Mas ela não os conseguia identificar, mais. Após tantas horas naquele lugar fedido, e diante do intenso sofrimento de seu corpo e de sua alma, ela somente conseguia detectar vultos disformes.

Gritos de dor, choros desesperados eram ouvidos com uma frequência enlouquecedora. Sim, ela estava enlouquecendo.

Com sua mão esquerda, ela segurava seu braço direito, visivelmente fraturado, de forma grave, como era possível concluir pelo enorme inchaço no local.

Dores lancinantes, gritos desesperadores, alma cansada. Estaria ela em algum tipo de inferno?

Seu nome era Maria da Conceição. Não se considerava uma pessoa boa, nem má. Era comum, tinha um emprego comum e vivia uma vida comum. Não entendia o porque de tanto sofrimento.

Conceição, como era chamada por seus poucos familiares e colegas de trabalho, estava naquele local há mais de 40 horas. Para ela, todavia, parecia uma eternidade, diante de tanta dor e sofrimento.

Tentava se manter sóbria, lúcida, sem desmaiar, mas suas forças já davam sinais de derrota. Ela estava extenuada, exaurida. Nem mais conseguia chorar, como fazia logo que a levaram para aquele lugar horrível.

SENHORA MARIA DA CONCEIÇÃO! – gritou uma voz masculina, rouca, quase brusca.

 MARIA DA CONCEIÇÃO – repetiu a voz, dessa vez quase gritando.

 Alguém a estava chamando. Quase sem enxergar, já que a dor tinha ultrapassado quase todos os limites humanos, ela se arrastou com dificuldades na direção da voz.

 Um homem pequeno estava de pé, no corredor, e a aguardava de forma impaciente. Sem conseguir enxergar sua fisionomia, ela parou diante dele e aguardou que dissesse algo.

 O homem, então, asseverou:

 – Vá até o final desse corredor, e entre na sala 26. O doutor fulano de tal irá atender a senhora.

 Lentamente, dirigiu-se ao local indicado pelo homem. Lá chegando, um jovem médico a aguardava. E, após quase dois dias de espera, a senhora Maria da Conceição conseguiu, enfim, ser atendido no posto de saúde da grande cidade onde morava.

 Sei que vocês estão surpresos, correto? Achavam que Conceição estava em um porão da tão temida ditadura? Negativo!

 A cena acima me foi descrita por essa mulher, cujo nome foi trocado, para fins de manter a sua privacidade. Mas, certamente, ela não é e nem será a única pessoa a passar pelo inferno para ter acesso a um atendimento médico de urgência (ou de emergência), de forma minimamente digna.

 Nos últimos meses, em nosso País, muito se falou sobre as torturas ocorridas e documentadas nos chamados porões da ditadura militar brasileira.

 Impossível negar a ocorrência de vários casos de supressão dos direitos humanos de pessoas que eram contra o sistema e o governo militar.

 Não é disso, entretanto, que estamos falando agora.

 A corrupção é a pior forma de tortura que existe.

Retira dos cidadãos seus direitos mais elementares, como o direito à vida, à saúde e à dignidade humana.

A dor que um torturador convencional pode impingir a um ser humano é apenas uma pequena parte da dor que o corrupto impõe a milhares de milhões de pessoas, pelo Brasil afora.

A tortura individual pode levar um homem à morte, lenta e cruel. A ação dos vermes, que atacam as verbas públicas com a sua ambição criminosa, destrói, de forma igualmente ardilosa, a vida e a esperança de toda uma sociedade.

A corrupção provoca dores, humilhações e a morte lenta de inúmeras pessoas. E, assim como devemos repudiar a tortura individual, devemos sentir nojo de toda forma de corrupção, por mais simples e inofensiva que possa parecer.

A parte mais complexa é saber diagnosticar, de forma precisa, como a corrupção se manifesta, na sociedade, através de nosso comportamento individual.

Vamos analisar algumas situações corriqueiras da vida cotidiana.

Parar um carro na fila dupla, na porta das escolas. Realizar ultrapassagens pelos acostamentos das rodovias. Furar a fila nos cinemas ou lanchonetes. Falsificar um documento de identidade, para parecer mais velho, e poder entrar em determinados shows e espetáculos?

Reconhecem alguns desses comportamentos? Claro que sim!

Ainda assim, mesmo que pratiquemos “pequenos”se e “inconsequentes” atos de corrupção, revoltamo-nos, quando essa mesma corrupção manifesta em nível nacional, praticada por terceiros.

As pequenas imperfeições individuais ganham escala gigantesca, quando o homem passa a ter acesso ao poder.

E toda a sociedade acaba sendo, ora vítima, ora cúmplice, dessa abjeta forma de corrupção que destrói o mundo, retirando da senhora Maria da Conceição, e de milhões de outros seres humanos, espalhados pelo Brasil e pelo mundo, não somente o direito a uma saúde de qualidade, mas o próprio direito à vida e à liberdade de sonhar.

Pensem nisso. Pois a vítima de uma sessão de tortura pode ser você!

Reflitam e fiquem com Deus!

 

André Mansur Brandão
Diretor-Presidente, Advogado e Escritor

ANDRÉ MANSUR ADVOGADOS ASSOCIADOS

 

 

 

 

 

Nunca Deixe de Sonhar!

No mundo real, infelizmente, a grande maioria das histórias não têm um final feliz.

A parte boa da vida é que podemos, em muitas situações, mudar o mundo e nossa vida, transformando situações de grande adversidade não somente em uma forma de aprendizado, mas, também, em vitórias.

Para se transformar fracassos em sucessos basta sonhar? Infelizmente não. Mas já é um grande começo.

Vou contar para vocês uma pequena estória que pode ou não ter acontecido, que fala do estranho encontro entre sonhos e realidade.

Era uma vez …

Em uma cidade grande do Brasil, uma pequena família lutava contra muitas dificuldades. Mãe, pai e dois filhos pequenos, uma menina, de cinco anos e um menino, que mal tinha completado nove.

Mãe e pai, ambos desempregados, chegados do interior do estado de Minas Gerais, há quase um ano, morando em um pequeno cubículo, na periferia da cidade. Filhos ainda fora da escola, por absoluta falta de condições da família.

Todas as economias do casal tinham sido consumidas e as contas já começavam a se acumular por sobre a mesa da pequena sala, que praticamente se emendava com o único quarto do barracão.

Além de desempregado, o pai ainda padecia de fortes dores nas pernas, provenientes do árduo trabalho no campo, que durante anos agrediu seu corpo frágil.

O pouco dinheiro que ainda insistia em sobrar somava pouco mais de cem reais, sendo que, somente as contas de água e de luz, já vencidas, totalizavam quase cinquenta reais.

CEMIG e COPASA eram, respectivamente, as concessionárias de luz e água daquela cidade e castigavam com cobranças insistentes, humilhantes e ameaçadoras.

Já havia três contas vencidas de cada uma delas e os cortes de luz e água eram questão de tempo. Além de todas os problemas inerentes ao desemprego e à falta de recursos, ainda teriam de ficar no escuro e sem água para beber ou fazer a sua higiene pessoal.

Era uma situação desesperadora!

Para evitar o corte iminente, e por estar com dificuldades de se locomover, o pai pediu ao filho pequeno, de nome João, para pagar as duas últimas contas da Cemig e da Copasa, apenas uma de cada.

Deu a ele quatro notas de dez reais e duas de cinco, suficiente para pagar as contas que totalizavam R$ 49,62, sem os encargos, que viriam nas próximas faturas. Pagando essas duas contas, os cortes seriam evitados, dando à família, pelo menos mais trinta dias de tempo.

Apesar de muito novo, saiu o menino em direção à casa lotérica, de uma certa forma orgulhoso com a missão que lhe tinha sido confiada. Corria, ansiosamente, pois o horário de fechamento estava muito próximo. Se passasse das oito horas da noite, não conseguiria pagar as contas.

Logo na entrada, deparou-se com um cartaz que anunciava:

LOTERIA: CONCORRA A DOIS CARROS DE UMA SÓ VEZ. SORTEIO AINDA NESSA NOITE!

Os olhos do menino começaram a brilhar. Dois carros, de uma única vez!

Resolveria todos os problemas da família. Um deles certamente seria vendido pelo pai e o dinheiro revertido para pagar as suas dívidas e mudarem para um lugar melhor.

O outro? Claro. O outro ficaria com eles e seria usado para fazerem inesquecíveis passeios, todos juntos, felizes, como ele via nos comerciais. Era a solução.

O valor do bilhete? Exatamente os cinquenta reais que ele tinha em mãos. Certamente era um sinal de Deus. Tinha de ser!

Pensou por quase meia hora. E tomou a decisão: comprou o bilhete, voltando correndo para seu barraco, onde seus pais já o aguardavam impacientes e aflitos, devido à demora e ao avançado da hora.

Quando o menino comunicou aos pais sobre sua decisão de não pagar as contas, usando o dinheiro para comprar um arriscado bilhete de loteria, ambos se desesperaram.

O pai não se conteve e começou a chorar copiosamente, enfiando sua cabeça no velho travesseiro que usava para dormir.

A mãe, igualmente alterada, caminhava nervosamente pelo pequeno espaço, de um lado para outro, ora dizendo frases desconexas, ora praguejando contra a vida e a tamanha falta de sorte da família.

O menino caminhou lentamente para o cantinho onde dormia, perto da irmãzinha, e começou, também, a chorar, baixinho. Até seu pequeno corpo ceder ao cansaço e à tristeza que sentia.

A pequena casa, com seus quatro moradores, adormeceu!

No dia seguinte, bem cedinho, batidas fortes na porta acordaram todos, de sobressalto.

Ao saírem, deparam-se com a seguinte cena:

DOIS CARROS NA PORTA!

Eram a Cemig e a Copasa, que tinham chegado para cortar a luz e a água.

E assim termina a estória!

Para os que nesse momento querem me bater, eu vou confessar. É uma piada, transformada em conto. E com uma dose grande de humor afrodescendente.

Vocês deveriam ter desconfiado do final quando eu disse que o nome do menino era João. Exatamente, o lendário Joãozinho deixou sua família no escuro e sem água.

Até as estórias, todavia, têm uma lição de moral.

Na vida, sempre procuramos atalhos para sairmos de nossas dificuldades, quando a solução, que sempre existe, sempre será através de muito esforço e superação.

Esse conto, em forma de piada, não foi baseado em fatos reais. Reflete, contudo, a situação de miséria vivida por milhões de brasileiros.

Outros tantos milhões nem sequer possuem energia elétrica, água encanada, esgoto e saneamento básico.

Devemos pensar nisso, antes de reclamarmos de nossas vidas, por motivos muito menos sérios. Se até quem vive na miséria sabe que ainda existem pessoas em situações piores. Aqueles que agonizam, doentes, muitas vezes em condições terminais de suas vidas.

Vivamos mais, com mais bom humor. Sem amargor, e sem descontarmos nas pessoas que nos cercam nossa dor ou nossos problemas, nem sempre tão graves.

Vamos ser felizes, antes que Deus, o juiz da vida, apite o fim do jogo. Viver sempre tem de ser melhor do que morrer.

Concluo, lembrando que a vida somente vale a pena se nunca deixarmos de sonhar. Mas, quando tivermos uma conta para pagar, vamos pagar. Senão a Cemig e a Copasa aparecem com seus carros.

Que Deus nos abençoe a todos.

Fiquem com ELE!

 

André Mansur Brandão
Diretor-Presidente, Advogado e Escritor

ANDRÉ MANSUR ADVOGADOS ASSOCIADOS

 

 

 

Vete De Arrascaeta Y No Vuelvas Mas

Vá embora, De Arrascaeta! E não volte.

Lembro-me de quando vi Arrascaeta pela primeira vez. Era uma partida válida pela Copa Libertadores da América, do ano de 2014.

O ônibus do time do Defensor, do Uruguai, entrava lentamente no estádio Mineirão, escoltado por diversos policiais.

Em volta, um verdadeiro inferno azul, formado por gritos, fogos de artifício, bandeiras e uma multidão de torcedores cruzeirenses, que gritavam palavras de ordem, para intimidar o adversário do Cruzeiro naquela noite.

O ônibus era um modelo duplo-deck, esses de dois andares, mas dava para ver nitidamente os jogadores do Defensor inclinados nervosamente na janela.

Dois rostos destacavam-se, na penumbra interna do veículo. Em uma das janelas podíamos ver Gedoz, um jogador brasileiro, que servia à equipe uruguaia.

Em outra janela, um pouco mais à frente, estava Arrascaeta, então uma jovem e tímida promessa do futebol sul-americano, quase desconhecido da mídia futebolística.

Uma coisa imediatamente me chamou a atenção: ao contrário de Gedoz, que se mantinha estranhamente calmo, diante do mundo azul que o tentava intimidar, Arrascaeta estava muito nervoso e ansioso.

Nada anormal, já que ele era um atleta jovem, que jogaria, em instantes, contra uma equipe muito maior do que a sua, em um jogo de grande importância para seu clube e suas aspirações pessoais.

Quando entrou em campo, a jovem promessa deixou o nervosismo de lado e começou a se mostrar, naquele jogo, para o futebol mundial.

Deu assistência para o primeiro gol do Defensor e ainda fez o segundo, impondo ao Cruzeiro um amargo empate em 2×2, em pleno estádio Mineirão. Aos traumáticos 48 minutos do segundo tempo.

No ano seguinte, 2015, foi oficialmente contratado pelo Cruzeiro e, naquele momento, nasceu De Arrascaeta, agora, sim, uma real promessa para o futebol mundial, visto que usaria um dos mais sagrados mantos do futebol sul-americano e, porque não dizer, do futebol mundial.

A segunda vez em que o vi, já vestindo o uniforme do Cruzeiro, foi no estacionamento G2 do Mineirão, lugar onde são estacionados os veículos de luxo dos jogadores, além dos demais carros de autoridades, membros da imprensa e usuários de camarotes e cadeiras especiais (meu caso).

O jogo havia acabado e meu filho e eu esperávamos para tirar fotos com os atletas e com a comissão técnica, um passatempo a que nos dedicamos desde 2013, quando o novo Mineirão foi reinaugurado.

Arrascaeta chocava por ser muito franzino. Nem de longe imaginávamos que aquele garoto, que tinha a compleição física de um menino, seria, um dia, ídolo de uma das grandes torcidas de futebol do Brasil.

Pequenino e frágil, usava um capuz para encobrir sua cabeça, deixando à mostra somente o rosto, quase imberbe. Olhava para baixo o tempo todo, como se tivesse vergonha. Ou medo da multidão de torcedores que começavam a assediá-lo.

Para que as pessoas que não são cruzeirenses possam entender o motivo de toda a revolta de nossa torcida contra a saída do jogador para o Flamengo, é importante que conheçam esse breve histórico do jogador.

Não foi a saída dele que nos irritou, mas sim a forma como isso aconteceu.

Chegou fraco, franzino e inseguro, tendo recebido do Cruzeiro todo o apoio, até mesmo para conseguir ganhar massa muscular, já que era “leve” demais para o futebol atual.

Para os que não sabem, o Cruzeiro é um time-família. Abraça e acolhe a todos que chegam, com afeto e generosidade.

Atletas, principalmente os mais jovens, são tratados de forma carinhosa e pessoal. Quantos clubes no Brasil teriam mantido o zagueiro Dedé, após tamanho histórico de contusões que, para muitos, tornariam-no inviável para o futebol?

O Cruzeiro deu à Arrascaeta não somente o suporte técnico, médico, fisioterápico e nutricional, mas toda a assistência psicológica para não “queimar” a jovem promessa, já que o uruguaio nunca soube lidar bem com pressão, apesar de ter sido decisivo em algumas partidas, certamente fruto do suporte do grupo de jogadores e de Mano Menezes, de quem o jogador sequer se despediu, antes de virar as costas para o clube.

Encorpado, alimentado, treinado e preparado emocionalmente, De Arrascaeta foi convocado para a seleção de seu país. Pouco fez durante a Copa do Mundo, mas voltou e recebeu, novamente, todo o suporte do Cruzeiro.

Ignorou tudo isso e, de forma lamentável, encerrou sua a relação com o Clube que lhe projetou. Mais do que isso: com o clube que o acolheu, como dificilmente outro o fará. Não de forma tão afetuosa.

Não se trata de querer privar um jogador de crescer profissionalmente, de querer receber mais. Isso é comum, já que o futebol profissional contemporâneo preconiza o TER, em detrimento do SER.

A forma como saiu, e como fechou as portas do time que dele tão bem cuidou, mostrou uma face de seu caráter, que será uma marca que o acompanhará para o resto de sua vida.

E não adianta tentar colocarem a culpa em algum empresário supostamente ambicioso. O jovem uruguaio é um homem, adulto e independente, e deve ser responsabilizado por suas atitudes e submeter-se às consequências delas.

Cruzeiro é time grande, time de massa, acostumado a ganhar títulos, assim como o é o Flamengo.

Contudo, o rubro-negro da Gávea encontra-se refém de sua história recente, onde não ganha títulos importantes há anos. Lá, a pressão vai ser muito, mas muito maior.

E todos sabemos que De Arrascaeta não aguenta pressão. Se por dinheiro, virou as costas para o Cruzeiro e saiu, sem se despedir até de seus colegas, o que faria por medo?

Se abandonou o Cruzeiro, que tudo lhe deu, o que impedirá de fazer o mesmo com o Flamengo, quando o Maraca começar a tremer e a cobrar?

Como diria o rapper Eminen, na música LOSE YOURSELF, o jovem uruguaio terá, no Flamengo, apenas ONE SHOT, ONE OPORTUNITY.

Sim, um tiro, uma oportunidade. Apenas uma chance para dar certo.

Não falhe! A grande nação rubro-negra não o perdoará, caso isso aconteça.

Se você não valer o que pagaram, e o Flamengo ficar, novamente, apenas, sentindo o cheirinho de títulos, você experimentará um outro tipo de odor: o do medo.

Ou, o que é pior: o amargo perfume do ostracismo, do esquecimento.

Pode ser que minhas palavras pareçam de rancor. E devem ser mesmo.

Sou passional e amo o meu Cruzeiro. Estamos todos magoados com a forma ofensiva como esse jogador literalmente cuspiu no prato que o alimentou, usando de uma expressão popular.

Pelo menos me declaro parcial, e não me escondo sob o falso manto da isenção jornalística, expediente usado por alguns maus profissionais de mídia que torcem descaradamente para esse ou aquele time, enquanto publicam informes publicitários disfarçados de notícias.

Não se esqueça de que a bela e vitoriosa história do Cruzeiro continua, assim como a do Flamengo, enquanto a do jogador, que sai pela porta dos fundos da Toca da Raposa, ainda deve ser escrita.

Você manchou a sua história, não a nossa.

A galeria de ídolos do Cruzeiro possui centenas de jogadores que marcaram as chamadas páginas heróicas imortais. Brasileiros ou estrangeiros, homens de fibra e de caráter escreveram no livro eterno do Clube.

Somente usando o passado recente, podemos citar Everton Ribeiro, Goulart, Sorin, Alex, dentre outros, que entraram de forma definitiva para a história de sucesso do Cruzeiro.

Não somente pela forma como jogaram e defenderam o manto azul, mas, principalmente, pela maneira como saíram. Ou como encerraram suas carreiras. Acredite, De Arrascaeta, um dia, sua carreira vai terminar.

O que sobrará, quando você olhar para trás?

Homens de caráter e pessoas decentes saem pela porta da frente, pela porta que entraram, e não têm vergonha de olhar nos olhos de quem os recebeu. Homens de verdade não olham para o chão, pois não tem vergonha de seus atos.

Não conheço sua história, nem sei das dificuldades pelo que passou até se tornar um jogador de ponta.

Parece, porém, faltar-lhe conhecimento sobre a história e a vida dos milhões de torcedores cruzeirenses que insuflaram seu ego nas arquibancadas, proporcionando-lhe contratos financeiros sempre mais polpudos.

Você nem imagina pelo que passam uma mulher, um homem ou uma criança, em um país pobre, com tantas misérias e desigualdades, para ir a um estádio de futebol, gritarem e incentivarem o time do coração, ou comprarem a camisa 10, que você usou, mas onde cuspiu ao sair como saiu.

Não me refiro, apenas, aos milhões de pobres que, muitas vezes, deixam de comer, para prestigiar o time que os representa.

Jogadores são guerreiros, que entram nas partidas, com a missão de lavar a alma de todos. Como heróis azuis, rubro negros, de todas as cores, que lutam, em nome de milhões, contra as injustiças e mazelas que a sociedade impõe aos que pouco ou nada possuem.

Para nós, é paixão. Para você, é dinheiro. Pena que não soube entender isso e separar uma coisa da outra.

Torço, ironicamente, para que você continue a brilhar. Primeiro porque tenho afinidade e simpatia pelo Mengão.

Além disso, você é um bom jogador. Talvez seja mesmo um craque. Proporcionou-nos, nesses anos, muitas alegrias, vitórias e conquistas.

Como apaixonado pelo futebol que sou, gosto do talento, que você parece ter.

Dificilmente, todavia, a vida deixa de cobrar daqueles que separaram o ESTAR do SER.

Nossas atitudes, tanto as certas quanto as erradas, nos acompanharão pelo resto de nossas vidas. Assim como suas consequências. Para muito além dos 40 anos de idade, quando se encerra a carreira de um jogador de futebol.

Você, todavia, é jovem. Ainda tem muito a aprender, como todos nós.

Se existe alguém que pode mudar, esse alguém é jovem. Pois a juventude sempre tem, diante de si, nada menos que o futuro. Ainda que a juventude, um dia, acabe.

 

André Mansur Brandão
Diretor-Presidente, Advogado e Escritor

ANDRÉ MANSUR ADVOGADOS ASSOCIADOS

Participaram, também, Mônica Mansur, como revisora e André Victor Mansur, como pesquisador.