O Vento Contra o Suor!

A história que vou contar-lhes agora aconteceu em minha cidade-natal, Belo Horizonte.
Eu tinha por volta de quatorze anos de idade. Pouco mais, pouco menos.

Não sei se andar de bicicleta era um esporte ou um vício. Eu e um colega adorávamos rodar pela cidade, de um lado para o outro, em nossas bicicletas de 10 marchas. Era uma época onde o trânsito era muito menos agressivo do que é hoje.

Um de nossos passeios favoritos era ir subir a Avenida Barão Homem de Melo, até chegar no alto, próximo ao BH Shopping. De lá, fazíamos uma descida alucinante pela Av. Nossa Senhora do Carmo até a Savassi.

Quem conhece a cidade, sabe que o trajeto é bem difícil. Na época, nem a Barão, nem a N. Sra. do Carmo tinham quebra-molas ou qualquer obstáculo no asfalto. Eram poucos sinais de trânsito, o que tornava as vias extremamente rápidas, exceto na forte subida, que somente era vencida após muito esforço e muito cansaço.

Após a subida, a grande “onda” era descer a Av.  N. Sra. do Carmo. Usávamos os freios somente quando nos aproximávamos  da Av. Do Contorno, na Savassi. Chegávamos a velocidades incríveis, o que nos proporcionava uma louca sensação de pura adrenalina.

Se meu filho por acaso ler esta minha crônica, peço, por favor, que nem tente repetir isso. Nos dias de hoje, a quantidade de quebra-molas e sinais de trânsito torna a aventura impossível e sem-graça. Ou provavelmente fatal!

De qualquer forma, nunca vou esquecer o quanto era gostosa aquela louca descida. Fomos os pioneiros, mas em pouco mais de dois meses outros adolescentes começaram a imitar o trajeto. Dentro de muito pouco tempo eram vários ciclistas mergulhando na Savassi, com seus pedais quase tocando o asfalto, a milímetros do limite máximo.

Como todos podem perceber, a parte mais emocionante da “viagem” era descer a avenida. Mas devido ao grande esforço da subida e, principalmente, devido à distância do bairro da Savassi até o início da subida, conseguíamos fazer este trajeto apenas uma vez por dia, nos fins de semana.

Pena que, como sempre, alguns gostam de usar atalhos. Ao invés de subirem pela Barão para chegarem no alto e descer, diversos meninos ricos levavam suas bikes direto para o topo da Av. N. Sra. do Carmo, na traseira de suas pick ups de luxo. Assim, podiam descer várias vezes no mesmo dia.

Um dia, meu colega, visivelmente desanimado, disse que seu sonho seria comprar um carro daqueles, para poder descer várias vezes. Fiquei pensando, pensando, até que respondi:
– Eles podem descer quantas vezes quiserem. Mas nunca sentirão em seus rostos o contraste do suor da subida com o vento da descida!

Fato é que a prática acima gerou grande congestionamento de bicicletas descendo a avenida, o que começou a causar acidentes. Isso, associado à alta velocidade dos próprios veículos que por lá trafegavam, já que se trata de uma das principais vias de acesso a Belo Horizonte, fez com que a prefeitura enchesse a avenida Nossa Sra. do Carmo de quebra-molas e sinais de trânsito. E a aventura acabou…

As pessoas passam a vida toda tentando atingir o sucesso, a qualquer custo. Tomam atalhos, trapaceiam, enfim, quanto mais curto for o trajeto, melhor. Mas, o que a grande maioria delas se esquece é que, tão ou mais importante do que chegar lá, é ter na lembrança as marcas de sua história. Os obstáculos vencidos, a superação de limites, as lágrimas derramadas… Tudo isso é que faz chegar lá ser tão especial.

Principalmente, porque a grande maioria de nós, nunca irá chegar.

Na medida em que nos aproximamos de nossos sonhos, o topo, ironicamente, muda de lugar. Quando estamos perto de conseguir, passamos a querer mais, e mais e mais. Somente chegarão ao cume do sucesso aqueles que aceitarem os limites que vida impuser. O que torna a subida muito mais importante do que o “estar lá”.

Desfrutar do que se conquista é muito gostoso. Muito mesmo. A sensação de ver o esforço reconhecido pelas vitórias é única. Vim de uma família pobre, o que me faz valorizar cada degrauzinho que subo.

Todavia, sei que tudo acontece na exata medida do merecimento. No momento em que estivermos prontos, nosso esforço será recompensado.

Eu nunca apreciaria um bom vinho se não tivesse tomados os ruins. Nunca saberia reconhecer a mulher perfeita, se não tivesse me arriscado e acreditado no amor. Nunca teria sentido a maravilhosa sensação de ser pai, se não tivesse aberto mão de meu ego. E nunca sentiria o prazer de advogar, se não tivesse acreditado na justiça.

Sigo minha vida, acreditando e tentando. Pedalando e suando. Mas não vou mentir. Ninguém, nunca, irá retirar de mim o prazer de, aos meus 14 anos de idade, sentir o suor da subida contrastar com o vento da descida em meu rosto.

Apreciem suas vidas… Como aprecio a minha!

Fiquem com Deus!

André Mansur Brandão
Diretor-Presidente

ANDRÉ MANSUR ADVOGADOS ASSOCIADOS

Cartão de Crédito: comodidade ou pesadelo?

Comodidade para uns, inferno para outros… Criado para facilitar a vida das pessoas, o CARTÃO DE CRÉDITO acabou por se tornar uma das mais perigosas armadilhas para milhões de consumidores desavisados.

Isso porque, ao invés de ser usado simplesmente para agilizar o processo de compra e venda de bens e serviços em estabelecimentos comerciais, o desvio das funções desse importante instrumento criou uma forma simples, porém descontrolada, de endividamento das famílias.

Além da possibilidade de parcelamento das compras a juros – digamos, extorsivos – o chamado “dinheiro de plástico” possibilita a retirada de dinheiro em espécie, exatamente como se fosse uma modalidade normal de empréstimo. E tudo isso a juros e encargos que podem chegar até a 30 POR CENTO AO MÊS!

Existem duas formas de uso sadio do cartão de crédito. A primeira, através do chamado cartão pré-pago, é a modalidade em que o consumidor repassa para as administradoras de cartões um valor prévio, para depois ir gastando na medida de suas necessidades.

Infelizmente, existe pouco interesse por parte dos gestores na comercialização desse tipo de produto, sujeitado-os a inúmeros limites e regras.

A outra forma de uso seria a convencional, como todos conhecem. Compra-se a crédito, mas o pagamento é feito à vista, do total do desembolso. Seria perfeito, caso os consumidores tivessem disciplina para comprar somente o que conseguiriam pagar. E à vista!

Os grandes vilões da história são os mesmos de sempre: os chamados JUROS ABUSIVOS. No caso dos cartões de crédito, entretanto, quando o assunto é crédito rotativo ou parcelado, poucas coisas conseguem ser mais cruéis do que as taxas aplicadas a essas modalidades, que podem criar para os devedores dívidas em valores astronômicos, já que atingem os absurdos percentuais de até 30%.

O problema não é de fácil solução. Em um mundo capitalista, as pessoas são avaliadas pelo que têm e não pelo que são. Os estímulos ao consumo desenfreado é ostensivo e constante. Ofertas excessivas violentam o consumidor dia e noite, dentro e fora de suas residências.

Além de uma educação financeira eficiente, iniciada até mesmo na fase de alfabetização de nossas crianças, é fundamental incentivar o uso consciente do crédito. Mas, de quem seria o interesse de curar uma doença grave chamada ENDIVIDAMENTO, se quem cuida do hospital são exatamente os mesmos que vendem os “remédios”?

O consumidor deve ficar muito atento para não perder o controle sobre os seus gastos com o cartão de crédito. Uma vez no rotativo, dificilmente conseguirá sair sem ajuda de um profissional – seja de um psicólogo, seja de um advogado.

É muito importante saber que existem opções para quem perder o controle de seus gastos e dívidas com cartões de crédito. Existem muitas (várias) ilegalidades cobradas por bancos e administradoras. Uma dívida elevada pode sofrer descontos consideráveis.

O mais importante é não perder a calma, para que não se afogue em águas rasas. Sempre há uma solução. Sempre!!!!

Conhecer seus direitos é a melhor forma de defendê-los!

André Mansur Brandão
Diretor-Presidente

ANDRÉ MANSUR ADVOGADOS ASSOCIADOS

Os Vingadores, o Filme

Alerta: contém spoilers, mas ninguém liga, pois já contaram o filme todo, mesmo. Que prazer sádico é esse do ser humano, que corre para assistir a um filme, somente para contar para os outros depois? Se você for um desses seres monstruosos, procure ajuda profissional, pois eu já procurei.

O filme é um sucesso total. Mais de duas horas de pura diversão e entretenimento. Mesmo as estatísticas divergindo, dizem que “Os Vingadores” superaram, e muito, a bilheteria de Titanic.

Eu assisti e posso garantir: vale muito a pena, mesmo com Tony Stark, o Homem de Ferro, morrendo no final.

Pronto, falei!

Essa triste informação, na verdade, pouco importa, em função da trapaça que fizeram no enredo do filme. No último episódio, como todos se lembram, o Bem tinha perdido feio para o Mal, representado pelo vilão Thanos, que conseguiu exterminar metade do universo.

Apesar dessa vitória triste e inesperada do Mal sobre o Bem, que contraria a essência de tudo em que acreditamos, o jogo tinha sido limpo.

Venceu o melhor, digo, o pior, digo, o Mal. Deu para entender?

Na verdade, a vitória veio para quem explorou melhor as suas possibilidades e não mediu esforços para vencer. O Bem até que tinha jogado bem, mas o Mal entrou mais focado, mais determinado.

Era tão grande a vontade do Mal em vencer, que Thanos chegou ao extremo de assassinar uma de suas filhas, para conseguir a pedra que faltava para lhe dar o poder supremo para acabar com o mundo.

Logo, tecnicamente, ele mereceu a vitória. No filme anterior, como todos devem se lembrar, “Os Vingadores” perderam feio.

Mas o VAR, da Marvel, anulou não somente os lances finais, mas o próprio jogo. Tony Stark inventou uma máquina do tempo e o jogo foi reiniciado. Para quem não sabe, VAR são recursos eletrônicos usados em alguns esportes coletivos para tentar reduzir o erro dos árbitros, principalmente em partidas de vôlei, basquete e, agora, no futebol.

No caso de “Os Vingadores”, esse lance de “máquina do tempo” foi uma grande trapaça, em minha humilde opinião. E, por conta dessa maracutaia, todos os que tinham morrido no episódio passado, voltaram a viver.

Peço licença na narrativa para contar para vocês um acontecimento que me marcou muito, durante a sessão do filme.

Apesar de quase não conseguir retirar meus olhos da tela 3D, uma situação de real emergência chamou-me ao banheiro. Eu tinha de eliminar uma parte dos vários litros de refrigerantes que havia tomado, desde o início dos trailers do filme.

Sei que refrigerante faz mal para a saúde, mas …

Graças ao fenômeno ilegal da venda casada, que ocorre dentro de quase todos os cinemas espalhados pelo Brasil, eu fui obrigado a comprar um enorme balde de desentupidor de pias (eufemismo para refrigerante), junto com a pipoca, que vinha em um recipiente feito na forma da poderosa manopla, que concede poderes supremos sobre a humanidade.

Fui obrigado a comprar, pois era a noite de lançamento do filme, e eu não acharia nenhum juiz disposto a conceder uma liminar, obrigando a empresa que administra as salas de cinema a me vender a pipoqueira-manopla, sem ter de comprar a porcaria do refrigerante.

Até porque certamente a grande maioria dos juízes deveria estar assistindo ao filme, também. E eu tinha de ter aquela manopla. Vai que ela funciona, mesmo?

Fato é que, como o trem (refrigerante) tava lá, com canudinho, geladinho e borbulhante, eu acabei tomando. E muito. O que me levou ao banheiro.

Minha falta de força de vontade e minha fraqueza em resistir àquele líquido geladinho, todavia, fez-me assistir a uma cena inusitada.

Quando eu estava quase chegando à porta do mictório (banheiro), o pessoal da sessão que tinha acabado exatamente naquele momento saiu, comentando o filme.

Um pós-adolescente temporão, com os olhos rasos de lágrimas, disse para seu namorado: – “Nossa, amor, eu não aguentei quando o Homem-Aranha apareceu, vivinho. Estou chorando até agora.”

Abraçaram-se, ambos emocionados, e se beijaram, seguindo em direção à saída das salas de cinema.

Essa cena, contudo, encheu-me de raiva e de repulsa. Que direito eles tinham de dar um spoiler daqueles, sabendo que, quem saía da outra sala de cinema, ainda não tinha chegado nessa parte? Achei uma imoralidade.

Aquela revelação, inoportuna e inconveniente, todavia, produziu em mim uma verdadeira epifania. Meu cérebro expandiu-se em níveis absurdos e comecei a sentir tremores e calafrios.

Meu coração batia forte, meu corpo suava e senti minhas pernas levemente molhadas e trêmulas.

Corri para o banheiro, rapidamente, e fiz o que deveria ter feito antes, o que me fez melhorar grande parte dos sintomas.

Ao sair, contudo, minha mente não parava de pensar. Se o Homem de Ferro, com sua inteligência e grana, conseguiu fazer o tempo voltar, com sua engenhosa máquina do tempo, a Marvel tinha inventado o conceito de franquia eterna.

Nenhum personagem mais seria mortal. Todos poderiam ser ressuscitados, ainda que mortos em batalhas. Assim, o Bem poderia até perder para o Mal, mas no próximo filme, os derrotados mortos poderiam estar lá, mais vivos do que nunca, e ter uma segunda chance.

Sim, o Homem-Aranha aparece vivinho. Podem comemorar. Eu também o acho muito carismático.

Thor, que no início do filme aparece como depressivo e alcoólatra, encontra com a sua mãe no passado, e conversa com ela, antes que ela morresse.

Foi nesse momento do filme que eu realmente chorei.

Chorei calado, em silêncio, até que meu filho e minha esposa perceberam, e, mesmo sem que eu explicasse nada, abraçaram-me carinhosamente, aquecendo meu corpo com o calor que somente quem tem uma família deliciosa pode receber.

Minha mulher e meu filho sabiam no que eu estava pensando. E se pudéssemos, realmente, voltar no tempo?

Eu regressaria quase cinco décadas e, mesmo sendo um bebê de pouco mais de um ano, diria ao meu pai o quanto o amo e o quanto ele ainda iria se sentir orgulhoso de mim.

Pediria que ele não ficasse com raiva de Deus, por ser chamado de forma tão precoce, e de ser privado do convívio de sua família, a quem sempre se dedicou e amou.

Diria que, mesmo saindo tão cedo de nossas vidas, deixou um legado de decência e honestidade, que não somente nos honrou, como nos referenciou em nossas vidas.

MINHA MÃE?

Ah, mãe, se eu pudesse voltar no tempo e ter mais alguns instantes para conversar com a senhora, como Thor teve no filme… Eu lhe diria que, com a sua passagem, todos nós perdemos nosso chão, devido à forma tão brusca e cruel como tudo aconteceu.

Eu lhe diria, entretanto, mamãe, que não se preocupe. Para nós, o chão pouco importa, pois durante toda a sua vida, e antes de partir, a senhora nos ensinou a voar.

E estamos voando até hoje, mãe!

Seu neto está lindo, um pequeno homem de 1,95 metros de altura e um caráter que nos enche de orgulho. Sem contar que cuida dos cabelos dele, exatamente como a senhora sempre ensinou. E se transformou em uma pessoa muito melhor do que eu jamais serei.

Sua irmã de coração, Denilde, minha madrinha e mãe-preta, tem cuidado muito de nós, já que seremos sempre crianças-adultas, vivendo e sobrevivendo nesse mundo de Deus.

Ah, eu voltaria no tempo e conversaria muito com ela. Contaria todas as novidades e, principalmente, que tudo vai indo muito bem, no melhor dos mundos.

Com um beijo, ela se despediria de mim e diria:

– Eu sei, filho, eu sei! Mamãe ama vocês todos demais. Agora, tenho de ir. Mas estarei sempre com vocês.

– Mãe, quando chegar a hora, se eu merecer, irei para perto da senhora. Mas pretendo demorar. Ainda tenho muito o que fazer por aqui!

CENAS PÓS-CRÉDITOS

Quem assistir ao filme, já vou avisar: não há cenas pós-créditos.

Assim que começar a aparecer aquele monte de informações na tela, e a tocar aquelas músicas de “fim de filme”, podem se levantar e irem cuidar de suas vidas.

No penúltimo filme, eu tentei sair durante os créditos, mas a funcionária do cinema, de uma forma quase policialesca, impediu-me. Quando mostrei para ela um habeas corpus preventivo, que me garante o direito de ir, vir, permanecer e de sair antes e depois dos créditos, ela me cochichou no ouvido:

– Ainda tem filme!

Aí, claro, eu esperei. Sem contar que ela era bem grande e musculosa. E não me parecia nada amistosa. Era melhor ficar.

Dessa vez, nada disso. Terminou, terminou. É como se a Marvel nos dissesse:

Vão embora, pensem nas mensagens do filme. Pensem nas possibilidades. Não vamos fazer isso por vocês. Obrigado por encherem nossas contas bancárias em bilhões de dólares. Voltem em breve!

SPOILERS FINAIS

Como eu já disse, o mais interessante personagem da saga, em minha opinião, morre. O homem-de-Ferro, Tony Stark, bilionário, playboy e filantropo, como ele mesmo se definiu, entrega sua vida para o bem da humanidade, mas não resiste e faz a sua passagem, deixando esposa e uma linda filha.

Sim, ele tem esposa e uma linda filha nesse episódio. Mas nem fiquem tristes. No próximo, a máquina do tempo, que ele mesmo inventou, pode fazê-lo renascer. Voltar no tempo traz muitas possibilidades.

Outro personagem muito legal da série, Capitão América, tem um final bastante inusitado.

Como “Os Vingadores” conseguem reverter o genocídio de Thanos, o herói-galã ficou responsável por devolver as Joias do Infinito ao local e momento de onde foram retiradas, usando a máquina do tempo.

Ocorre que ele decide ficar na década de 1940, para viver ao lado de Peggy, a mulher que sempre amou. E ser, com ela, feliz para sempre.

Ou não!

Uma cena muito interessante, quase no final do filme, é que, enquanto “Os Vingadores” aguardavam seu retorno do passado, mas antes de saberem de sua decisão de se unir à Peggy, Capitão América ressurge, confortavelmente sentado em banquinho, próximo à máquina do tempo, bem idoso.

Idoso, mas ainda em ótimo estado, o que pode ser um indicativo de que a reforma da Previdência do Bolsonaro pode dar certo. Desde que compremos dos russos uma máquina do tempo. Dizem que já inventaram, mas tem sido usada para envelhecer vodka.

De qualquer forma, antes de voltar ao passado, para viver uma vida simples e apaixonada com sua amada, Peggy, Capitão América entrega seu escudo para outro super-herói, o Falcão, que aceita o encargo.

Parece que será o primeiro Capitão América negro da história. Na verdade, o segundo, já que o primeiro sempre será Barack Obama.

THANOS, O VILÃO!

Thanos é um personagem inspirado em Thanatos, outro vilão da Marvel. A semelhança de som do seu nome com a palavra “ânus” pode insinuar, de forma subliminar, que se trata de um “cuzão”. Nada disso.

Não se trata de um vilão comum. Thanos é um filósofo do mal. Nem sei se seu plano para destruir o mundo era tão cruel ou ilógico, tirando essa ideia meio clichê de dizimar toda a população da Terra, para começar do zero.

Olhemos em volta. O que temos no mundo, hoje?

Miséria extrema, fome, corrupção, ganância, países ricos destruindo o mundo, com poluentes e gases cada vez mais tóxicos e uma falta de moral generalizada.

O que ele propõe, afinal, nada mais é do que um apocalipse, para higienizar a face da Terra.

Suas intenções, todavia, nada possuem de nobres. Seu pragmatismo cruel e sua falsa noção de racionalidade escondem o fato de que Thanos deseja limpar o mundo para impor o seu próprio conceito do que é certo e errado.

Não se mata uma pessoa para combater sua infecção.

O ser humano, em sua essência, é bom. Pelo menos, esta é a crença que me mantém vivo e esperançoso com relação ao futuro.

A grande maioria das pessoas possui lados bons e ruins. Trabalhando a ética, a moral, e a consciência divina das pessoas, podemos ter um mundo muito melhor.

E é nesse mundo que eu desejo viver.

O mais grave pecado de Thanos, todavia, é que ele não deseja criar um novo mundo somente para dar uma nova chance à humanidade. Ele deseja controlar e dominar esse “novo mundo”, ditando o seu peculiar conceito do que seja certo e errado.

E, querer isso, torna-o não somente um vilão, mas um ser digno de repulsa, pois quer retirar do ser humano um de seus maiores direitos: o livre-arbítrio!

Mas, afinal, não é exatamente isso que todos os ditadores fazem?

EMPODERADAS

Uma cena muito legal no filme mostra a influência que o movimento feminista mundial tem sobre as produções cinematográficas. Em uma cena, todas as heroínas da Marvel, unem-se contra Thanos e o atacam.

Infelizmente, não conseguem vencê-lo, missão que ficou a cargo do Incrível Hulk, personagem masculino, o que pode ser um indicativo de que o cérebro de Hollywood ainda pode ser machista.

Ou não. Na verdade, quem se importa com isso? É apenas um filme, correto?

SPOILERS FUTUROS DA VIDA REAL

Se uma mente politicamente incorreta fosse escrever o próximo episódio da saga, e quisesse mexer com todos os mimimis da sociedade, não seria nada difícil.

Imaginem só.

Capitão América, após um divórcio altamente litigioso, separa-se de sua mulher, que leva metade de sua fortuna avaliada em mais de seis bilhões de dólares. Entra na Justiça, requerendo de Falcão o seu escudo de volta, o que provoca grandes transtornos sociais e uma verdadeira guerra entre brancos e defensores dos movimentos negros.

Em sua defesa, Falcão limita-se a dizer que, ao receber o escudo, e seguir a tradição do Capitão América, “ele tinha um sonho!”

Homem Aranha assume sua homossexualidade, muda-se para o Rio de Janeiro. Começa a praticar ginástica olímpica, mas desiste de fazer filosofia, devido ao corte de verbas federais nas universidades.

O Incrível Hulk assume seu lado besta, desiste de ficar indo e vindo entre duas personalidades e monta um grife de roupas plus size, que se torna uma das 100 empresas mais lucrativas, de acordo com a Revista Forbes.

Lanterna Verde, herói da DC Comics, concorrente da Marvel, surge, imponente, com uma missão para lá de polêmica: tentar proteger o mundo contra a Ameaça Vegana, que destrói vorazmente toda a vegetação do planeta Terra. Além disso, Lanterna tenta desmontar todas as barragens da Vale, antes que mais pessoas morram soterradas pela ganância daqueles para quem a vida humana nada Vale.

Será imperdível!

MORAL DA HISTÓRIA?

Aproveitem a vida!

Ao contrário do filme, o tempo não volta. O tempo caminha, lenta ou velozmente, mas sempre para a frente.

Amem mais, perdoem rapidamente, vivam de uma forma mais intensa, sem se esquecer de que pode vir um amanhã. Se vier, se Deus nos premiar com mais dias, mais anos, aproveitem.

Apreciem de forma prazerosa cada segundo que a vida lhes proporcionar de forma harmônica, equilibrada, porém apaixonada.

Um dia, vamos morrer. Mas, todos os demais dias de nossas vidas, vamos viver.

A vida nos dá uma quantidade limitada de tempo para usufruirmos, para fazermos algo que sobreviva a nossa passagem. Deus não permite que o tempo volte. Mas nos deu uma coisa muito mais valiosa: começar cada dia como se fosse uma nova vida.

E a certeza de que, melhor do que fazer o tempo voltar, é aproveitar o tempo, enquanto estamos por aqui.

Para que, no dia em nos formos, deixemos mais do que tristeza e dor: deixemos saudades, memórias e, principalmente, exemplos que poderão ser seguidos pelas gerações futuras.

Esse, sim, é o conceito de vida eterna.

Sendo assim, vamos viver?

Saúde e paz para todos.

Que Deus encha nossas vidas de tudo do bom e do melhor.

André Mansur Brandão
Diretor-Presidente

ANDRÉ MANSUR ADVOGADOS ASSOCIADOS