KALIL DIZ QUE QUEM NAO TOMAR VACINA É NEGACIONISTA,
IDIOTA E BURRO.

Muitas pessoas poderiam pensar que essas palavras definiriam muito bem o próprio protagonista que as proferiu.

Sou obrigado a discordar: não acho Kalil negacionista. Ele não poderia ser acusado de ser algo de que sequer sabe o significado.

encheu o saco esse tipo de grosseria teatral do prefeito de BH, uma das mais importantes cidades do Brasil. Mas não vamos perder tempo com Kalil.

Vamos aproveitar esse tema tão sério e importante – VACINA – para esclarecermos alguns pontos, visto que nem todos que deixarão de se vacinar enquadram-se no que Kalil afirmou.

Eu, pessoalmente, sou totalmente a favor das vacinas. Vou repetir para ficar bem claro:

SOU TOTALMENTE A FAVOR DAS VACINAS!

Minha mãe sempre nos vacinou, a mim e as minhas duas irmãs.
Tomamos todas as vacinas disponíveis na época, muitas vezes submetendo-nos a filas gigantescas em postos de saúde, que começavam a ser formadas antes do dia amanhecer.

Eu e minha esposa vacinamos nosso filho da mesma forma, agregando até mesmo vacinas que sequer existiam quando éramos pequenos.

As vacinas contra a Covid, todavia, trazem alguns dilemas que ninguém pode negar.

O primeiro deles é quanto ao tempo de produção, que foi de menos de um ano. Nenhum cientista sério pode dizer que esse tempo é suficiente para a aprovação de medicamento tão importante quanto a vacina, ainda mais por se tratar de uma profilaxia que visa atuar de forma preventiva à doença.

O segundo e mais importante ponto, a meu humilde ver, está ligado a possíveis efeitos colaterais graves.

Poucos sabem mas, antes de um medicamento ser aprovado por fazer bem, é indispensável que ele não cause males graves à saúde das pessoas.

Por isso, são necessários tantos anos de estudos e testes para que as agências de saúde do mundo inteiro atestem tratamentos como eficazes e, claro, como não nocivos à saúde.

Não me refiro a efeitos colaterais leves e temporários, mas aos graves e incapacitantes.

A pandemia do Covid 19, entretanto, é algo inesperado, grave e emergencial, o que certamente exige atitudes igualmente emergenciais.

Por isso, muitas pessoas inteligentes, racionais e não negacionistas podem ficar em dúvida e, até mesmo, recusarem-se tomar, visto que se trata de uma medida profilática produzida de forma emergencial, o que transforma todos nós, de uma certa forma, em cobaias humanas de um experimento científico.

Pela consulta que fiz aos critérios de vacinação, ainda demora muito para que chegue a minha vez. Mas pessoas muito amadas de minha família, amigas e amigos muito queridos, terão de decidir, de forma rápida, se tomam ou não.

Isso sem contar que, como ser humano que sou, provido de sentimentos, morro um pouco, a cada dia, cada vez que são divulgadas as estatísticas das pessoas que falecem em virtude desse terrível vírus.

Sei que existem pessoas não vão querer tomar a vacina por conta da confusão que está o Brasil, da falta de explicação, e do uso político e mesquinho que alguns dela fazem.

Não o farão, não necessariamente por serem negacionistas, mas por serem incrédulos, ou por estarem mal informados.

Poucos, realmente, deixarão de tomar por serem idiotas ou burros, como o é aquele que, ao invés de informar, agride quem deveria ser esclarecido.

Se me perguntassem, todavia, se eu tomarei a vacina, quando chegar a minha vez, eu, com a humildade e tranquilidade dos que sabem dar o valor à vida, diria: eu não sei!

Não sei realmente se temos a vacina ideal. Não tenho ciência dos dados dos países onde tais vacinas estão sendo ministradas.

Se a mortalidade está sendo reduzida, se as taxas de transmissão estão caindo, ou se se registraram efeitos colaterais graves.

Quem deveria informar parece estar ocupado em desestabilizar o mundo, que já se encontra em um grande estado caótico de dor, tristeza, miséria e confusão.

O que posso afirmar, com toda a minha convicção, a todos que me perguntarem sobre o tema, se devem ou não tomar a vacina, é que nunca devemos tirar das pessoas o direito sagrado à sobrevivência.

Principalmente o ainda mais sagrado direito de tentar.
Muito obrigado!

André Mansur Brandão

André Mansur Brandão
Diretor-Presidente / Advogado / Escritor

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